
Você não fuma e convive com pessoas que fumam? Cuidado!
Você já deve ter visto algo sobre a polêmica gerada pela lei que proíbe o fumo em locais fechados, como a que está acontecendo em São Paulo. A lei já é realidade no Rio desde 2008!
Na capital paulista, a partir de agosto, os fumantes não poderão acender seu cigarro em bares, restaurantes, casas noturnas, escritórios ou qualquer outro lugar público que não seja ao ar livre. Muitos acusam a lei de privar as liberdades individuais — afinal, a venda e o consumo de cigarro seriam atos legais e proibi-lo em ambientes públicos iria contra a livre escolha dos fumantes. Mas a intenção não é perseguir ninguém. Pelo contrário: a proposta é proteger quem escolhe não fumar e acaba sendo prejudicado pelo cigarro por tabela. Essa medida é uma tendência mundial de saúde pública. Em um ambiente poluído pela fumaça de cigarro, o ar tem um índice de nicotina e de monóxido de carbono até maior que o conteúdo tragado pelo fumante. A diferença é que a fumaça vai direto para o ar e não passa pelo filtro. Além disso, o ar poluído tem substâncias capazes de causar câncer, de forma semelhante à fumaça inalada pelo fumante. Acontece que este tem a opção de simplesmente não fumar, mas o não fumante não pode parar de respirar para evitar tudo isso.
Claro que aspirar ar com fumaça faz mal à saúde! Um adulto não fumante que fique exposto ao ar poluído tem 30% mais chances de desenvolver câncer de pulmão e 24% mais risco de ter um infarto do coração do que os não fumantes que se protegem. Entre as crianças que fumam por tabela, o estrago é ainda maior: elas ficam mais sujeitas a ter resfriados e infecções de ouvido e correm mais risco de adquirir doenças respiratórias, como pneumonia, bronquite e asma. Os bebês expostos à fumaça de cigarro têm cinco vezes mais chances de morrer subitamente e sem causa aparente — a Síndrome da Morte Súbita Infantil.
É por tudo isso que se estima que o tabagismo passivo seja o terceiro maior causador de mortes evitáveis no mundo, ficando atrás apenas do tabagismo ativo e do consumo excessivo de álcool.
O que se está tentando aplicar aqui, em nosso País, não é uma grande novidade. Na França, por exemplo, uma lei parecida entrou em vigor no começo do ano passado. O país era muito conhecido por seus bares e cafés “defumados”, em que o cigarro tomava conta do ambiente. Desde então, os fumantes passivos estão sendo mais protegidos — quem quiser fumar, tem que ir para o ambiente aberto, onde a fumaça pode se dissipar sem ser inalada por terceiros.
Não dá para negar que, no final, muitas pessoas serão beneficiadas com a lei — afinal, são cerca de 15% de fumantes na população brasileira. E os outros 85%, não têm o direito de respirar um ar livre de fumaça?


